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  • Haline Floriano

Eleições e mapeamento político

Cláudio André de Souza


Os meses que precedem a janela de migração e filiação partidária são agitados porque dependem de inferências sobre o número de votos dos candidatos de cada chapa. Até 2018, o sistema eleitoral permitiu que as eleições proporcionais fossem feitas com coligação entre os partidos. A partir das eleições de 2020, vereadores e deputados não serão eleitos em coligação, ou seja, cada partido concorrerá sozinho em busca de votos.


Esse novo cenário determina que os partidos devem montar chapas competitivas que dependem de si para ultrapassar o quociente eleitoral. Ao mesmo tempo, a estratégia de cooperação interna dos candidatos de um mesmo partido passa a ser ainda mais necessária, buscando uma maior visibilidade das organizações partidárias na sociedade, para “obrigar” os eleitores a preconizar a racionalidade na escolha do voto, o que diminui a clivagem entre candidato (perfil pessoal) e partido.


O fim das coligações obriga os partidos a buscarem potencializar candidatos competitivos, já que a totalização dos votos será feita por partido. A análise dos votos nas eleições de 2016 mostra que poucos foram os partidos que conseguiram ficar sozinhos acima do quociente eleitoral.


Na Bahia, em uma cidade média como Serrinha, com 56.000 eleitores, cinco partidos estiveram acima do quociente eleitoral, tendo sido eleitos candidatos de onze partidos distintos. Em Vitória da Conquista, nove partidos obtiveram votação acima do quociente eleitoral, mas foram eleitos candidatos de quatorze partidos diferentes. A constatação é que os partidos menores se tornam mais competitivos quando conseguem emplacar candidatos com uma votação relevante dentro das coligações.


Em Salvador, dezesseis partidos ficaram acima do quociente eleitoral, e dezessete elegeram candidato, um nível de competição extremamente calculado, que demonstra a existência de um mapeamento eleitoral prévio projetando a quantidade total de votos por chapa, por partido e por candidato.


A situação muda com o fim das coligações, diminuindo a chance de fragmentação partidária, já que será mais trabalhoso aos pequenos partidos mobilizarem mais votos para atingir o quociente eleitoral. Entram em campo as planilhas para projetar até o mês de abril – prazo final para novas filiações – a composição das listas partidárias. Cada candidato recebe uma projeção individual da sua quantidade de votos, controlada pelo “mapeamento eleitoral”: os pré-candidatos controlam o número de apoiadores e o seu respectivo perfil (bairro, local de votação, telefone, etc.), conseguindo dar previsibilidade ao processo político desde a pré-campanha. Existem atualmente softwares especializados em mapeamento político e gerenciamento de campanha que auxiliam no tratamento dos dados, ajudando no processo de decisão política, desde o período de pré-campanha.


Não há planejamento de campanha e marketing político sem entender o público-alvo de uma candidatura. O maior convencimento para se correr o risco de ser candidato com menos chance de vitória é que a quantidade de votos alcançada se torna um tipo de “capital” para a construção de uma carreira política que envolva uma possível ocupação de cargos comissionados no legislativo e nos governos. Há derrotas que são vitoriosas: um dado ainda preliminar sobre a carreira política dos vereadores aponta que uma parte deles foi assessor parlamentar antes de conseguir a sua própria eleição.


Palavras-chave: Movimento Voto Consciente, Poder Legislativo, Poder Executivo, partidos políticos, eleições 2020, coligações, quociente eleitoral.

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