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Problemas na coalizão ou abandono da Educação


Leon Queiroz

 


Gerenciar uma coalizão minimamente governativa impõe diversas dificuldades aos articuladores políticos. Quanto maior e mais heterogênea, mais difícil de se chegar a um consenso. O governo precisa barganhar e saber recuar em temas sensíveis em troca de mais liberdade orçamentária ou concessão de créditos extras por exemplo. Negociar a presidência da comissão de educação é evidência disso. O PT sempre levantou a bandeira da educação e durante as gestões de Lula, logrou alguns avanços, principalmente em relação à inclusão, que mesmo não sendo a ideal, tem sido importante para trazer mais equidade e mobilidade sociais. Entretanto, o eleitorado compreende essas barganhas ou negociar a presidência da comissão de educação aparenta descaso ou desdém?

A comunicação política é fundamental, pois a grandiosa maioria do eleitorado não compreende as barganhas políticas, até porque são feitas nos bastidores, impossibilitando o eleitor mediano de juntar as peças do quebra-cabeça político. Depois de sete anos sem reajuste salarial, acumulando uma defasagem acima de 30% e com o sucateamento estrutural das universidades federais, o Governo Central anuncia a criação de mais cem unidades de institutos federais. Isso seria um avanço na educação ou faz parte de uma estratégia para dizer que a educação é importante? Sem orçamento para garantir um funcionamento minimamente digno das universidades federais, como criar novas unidades? Como mantê-las?

É triste ver o debate educacional no Brasil se desdobrar entre homeschooling, vouchers para a rede privada e imposição de bibliografia de péssima qualidade que a direita acha que é educar e o aumento da rede pública sem condições de mantê-la, submetendo os docentes a situações degradantes como bancar do próprio salário o ar-condicionado da sala, ou a mesa de trabalho, alguns tendo que construir escritórios em casa porque já não há mais condições mínimas de trabalho nos espaços físicos. A pandemia agravou uma situação que se iniciou por volta de 2016, quando ocorreram fortes cortes no setor educacional. Os governos Temer e Bolsonaro sucatearam ainda mais as Instituições Federais de Ensino Superior, tendo este último dito todo tipo de mentira sobre o que ocorre na rede federal de ensino superior. As universidades públicas brasileiras são responsáveis por mais de 90% da ciência produzida no Brasil. Não são apenas instituições de ensino. Também são instituições de pesquisa. A grande maioria dos professores federais também é pesquisador.

Com possível greve a ser deflagrada no dia 15 de abril, resta saber se o Governo Central trabalha nos bastidores para reerguer quem constrói a ciência no Brasil ou se realmente foi efeito colateral da coalizão governamental.

 

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