União Brasil vai às urnas: que partido é esse?

*Lara Mesquita e Pedro Massucatto




Na última semana, o TSE divulgou a divisão dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Ao União Brasil coube a generosa fatia de R$ 782 milhões de reais. O partido presidido por Luciano Bivar e que tem como maior promessa eleitoral para o pleito de 2022 a eleição para o governo da Bahia, não é mais o mesmo que teve o registro aprovado em fevereiro deste ano.



O período da janela partidária foi, certamente, mais movimentado para o União Brasil que para a maioria dos partidos. A bancada de 82 parlamentares - 55 oriundos do PSL e 27 do DEM - encolheu para 56 deputados. Ao todo, 47 parlamentares deixaram o partido, enquanto outros 21 novos parlamentares se juntaram às fileiras da legenda. A sigla perdeu o seu breve posto de maior bancada da Câmara dos Deputados, mas, ainda assim, divide a segunda posição com Progressistas e PT, graças à entrada de novos filiados.




Os antigos membros do PSL formam a maioria expressiva dos dissidentes do União Brasil. Dos 47 deputados que deixaram a sigla, 40 pertenciam ao PSL antes da fusão. O principal objetivo dos dissidentes era o realinhamento com o presidente Bolsonaro, que se filiou ao PL. Progressistas, Republicanos e PTB, juntamente com o novo partido do presidente, são, atualmente, os partidos mais alinhados ao governo. Não por acaso, esses partidos receberam 35 dos 40 parlamentares que deixaram o União Brasil durante a janela de mudanças, sendo que somente o PL recebeu 26 parlamentares, o que corresponde a metade da bancada eleita pelo PSL em 2018. Por outro lado, apenas 7 dos parlamentares do extinto DEM desertaram na janela, mantendo assim o grupo oriundo do partido majoritário na nova legenda.




Os 21 deputados novatos recebidos pelo União Brasil durante a janela têm como origem 9 partidos distintos, distribuídos em diferentes posições no espectro ideológico. É fato que a maioria é oriunda de siglas do chamado centro político, com destaque para PROS (5), PSDB (3) e MDB (3), mas há tanto parlamentares que vieram do PDT (2), na centro-esquerda, quanto do PTB (2) e do Republicanos (2), partidos ideologicamente de direita.




Levantamentos preliminares indicam que o União deverá apresentar 13 candidatos aos governos estaduais, dos quais 8 eram filiados a outros partidos que não o DEM ou o PSL, 4 têm origem no DEM e apenas um oriundo do PSL. Além disso, o partido apresentará pelo menos três candidatos ao senado, todos com origem no DEM, sem contar a pré-candidatura ao Planalto de Luciano Bivar, presidente do antigo PSL.




Considerando os tetos de gastos válidos para as campanhas nos pleitos de 2018, e os pré-candidatos do partido já identificados, e que o partido não arrecade mais um centavo além dos recursos do FEFC, os candidatos do partido não enfrentarão qualquer dificuldade para financiar suas campanhas.



Ainda que o partido reserve o máximo permitido (considerando valores de 2018) aos seus candidatos aos governos estaduais, senado e presidência, ainda poderia financiar a campanha de 244 candidatos a deputados federais dando a cada um o limite máximo permitido em 2018, R$2,5 milhões de reais.



Partindo da descrição bastante superficial que apresentamos aqui e alguns comportamentos de diretórios estaduais do partido – por exemplo o diretório do estado de São Paulo, que levou ao ar propaganda declarando apoio ao candidato ao governo estadual do PSDB (e ex-DEM) Rodrigo Garcia na mesma semana em que Luciano Bivar disse que retiraria o apoio ao candidato paulista – parece que os quadros oriundos do antigo DEM se beneficiarão muito com a fusão e não terão dificuldades, caso queiram, de tirar Bivar da presidência da legenda passado o pleito de 2022.





Créditos da imagem: União Brasil


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